A INDIVIDUALIDADE NO RELACIONAMENTO

O processo de individualização no relacionamento pode ocorrer de duas formas. A primeira delas seria as individualidades de cada um postas em via de mão dupla.  A outra seria a sobreposição da individualidade de um sobre a do o outro na relação, o que poderia ocorrer de forma não saudável.

A forma de lidar com a sua individualidade no relacionamento faz parte da forma única pela qual cada pessoa lida com seu mundo particular, que inclui conteúdos internos advindos de sua bagagem emocional por tudo o que aprendeu e absorveu durante a vida: experiências positivas e negativas com pais, irmãos e outras pessoas importantes (principalmente na primeira infância e adolescência), traumas, experiências de relacionamentos anteriores, emoções contidas e nunca expressadas, aprendizados específicos da sua cultura, etc.

E qual a importância dessas particularidades se encontrarem como casal? Quando as duas individualidades são respeitadas e postas em ação complementar, o casal consegue ter melhor desenvolvimento e crescimento pessoal e como casal. Reconhecem que suas historias são diferentes e respeitam cada um a forma de ser do outro.

Você pode dizer: “Mas e se ele(a) me machuca pela formas de agir nessa particularidade, mesmo assim devo respeitá-lo(a)? Quando algumas atitudes não agradam o parceiro, isso não quer dizer que não possa haver crescimento e amadurecimento de ambas as partes. Tudo é questão de conversar entre o casal e encontrar a melhor solução. Primeiramente precisa-se dizer ao parceiro(a) que tais atitudes geraram algum desconforto, pois se não for dito como o cônjuge saberá que determinada atitude lhe incomoda? Lembre-se sempre de que “o que não foi dito, não foi ouvido e às vezes mesmo dito não é ouvido”. Então poupe-se de ficar bravo(a) ou  emburrado(a) diante das atitudes sem dele(a) sem ao menos ter comunicado ao parceiro(a) que tal atitude o(a) incomoda; isto não é saudável, vá para ação e diga como se sente! 😉

Percebemos que nesse processo o cônjuge que não fala a respeito do que o incomoda, acaba sabotando a própria individualidade, passando por cima de crenças muito significativas, advindas de sua bagagem emocional. Não estou falando aqui de uma simples toalha molhada na cama ou a escolha do restaurante para o jantar e sim de atitudes muitas vezes agressivas e violentas psicologicamente, que oprimem o parceiro e o fazem perder a individualidade e autoestima, podendo prejudicar o sistema familiar como um todo.

Quando proponho que essas particularidades devem se encontrar, não é por competição e atrito entre ambos e sim um encontro na qual o percurso foi de mãos dadas, caminhando os dois na mesma direção, respeitando cada um suas individualidades, se fortalecendo através dessas diferenças, utilizando-as para que possam complementar um ao outro.  Reconhecendo essa via de mão dupla e o quanto a individualidade de cada um pode acrescentar ao outro, o casal se desenvolve e cresce, reduzindo as brigas e aumentando o amor e a paz entre a família.

Muitas vezes não é fácil aceitar as individualidades e particularidades do cônjuge, algumas atitudes muitas vezes são visivelmente inaceitáveis, mas lembre-se de que você também erra; respire, olhe para o interior dele(a), reconheça as diferenças, levante-se e tente compreendê-lo(a) e conversar novamente, pois se vocês levantarem juntos e de mãos dadas, pode ser que a recomposição seja mais rápida, madura e satisfatória para ambos. Às vezes este processo de reconhecimento e respeito pessoal de cada particularidade só é possível obter através da psicoterapia, pois o profissional de fora da situação consegue ver possibilidades de reconstituição de vínculo entre o casal, visando e respeitando ambas as individualidades e não sobrepondo uma individualidade sobre a outra. E não tem nada de “estranho” ter um profissional auxiliando nesses momentos, afinal nenhum de nós recebe um manual de instruções de vida e dos relacionamentos quando nascemos!

Psicóloga Brenda Chaves

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